O artista, no princípio, trabalha com a estética dos símbolos, se preocupando com a forma, mas, aos poucos, vai criando uma "grafia" própria ao juntar vários elementos da cultura negra. "Preocupei-me em não perder o sentido dos símbolos e, ao mesmo tempo, abrir espaço para outros significados", afirma. Nas obras não faltam menções a figuras como Exú, representada por pontas, tridentes e triângulos seguidos de outros, lembrando a ligação do céu com a terra.
Em 1987, Jorge dos Anjos passa a criar projetos para esculturas, realizados em papelão e, dois anos depois, resolve se mudar para Belo Horizonte, com objetivo de investir no trabalho, pois o campo de artes plásticas na capital é mais promissor do que em Ouro Preto. "As idéias estavam surgindo e eu precisava vê-las em aço. Pedi ajuda ao Eolo Maia (arquiteto) para montar parcerias com outros profissionais e viabilizar as obras. Ele me apresentou a algumas pessoas e, nos anos 90, fechei uma produção para um prédio de João Diniz (também arquiteto), no Santa Efigênia", lembra.
Esta fase marca o início dos convites que se desdobraram em obras espalhadas por espaços públicos, tais como: Monumento Zumbi Liberdade e Resistência - 300 Anos, na avenida Brasil, os painéis do Bahia Shopping, ambos em Belo Horizonte; e a escultura Via Urbana, na avenida Maestro Lisboa, em Fortaleza (CE). Os trabalhos do artista também podem ser conferidos nos livros "Visagens" (parceria com Álvaro Andrade Garcia, de 1998), "Revue Noire - Brésil - Afro-Brasileiro" (1996) e "Um Século de História das Artes Plásticas de Belo Horizonte", publicação da editora mineira C/Arte, de 1997, lançada em parceria com a Fundação João Pinheiro.
Texto: Daniela Paiva Pacheco